quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um Passeio por Bridgeport


Eu havia chegado a Bridgeport há algumas horas, porém, apenas o Christopher e o Stanley sabiam disso.
Eu estava morrendo de saudades daquela cidade, da agitação, do movimento! Resolvi apenas dar uma volta pela Galeria de Arte, já que havia uma exposição recém-chegada à cidade.


A Galeria de Arte de Bridgeport era, sem dúvidas, uma das mais bonitas que eu havia visto pelas minhas andanças. Aliás, em minha opinião, era o prédio mais bonito de toda a cidade.



Quando cheguei ao primeiro andar, avistei duas coisas (esculturas?) bizarras. Uma delas era um galo típico de colocar em telhado de casas do interior e a outra era... Uma latrina! Vulgo, vaso sanitário! Hã? 



Eu entortei a cabeça tentando ver lógica naquilo tudo e não havia.
- Eu juro que não entendo o que esses novos artistas pensam que somos! Vaso Sanitário! Essa é boa! 



E antes que eu pudesse ofender mais ainda o criador “daquilo”, ouvi uma voz firme, porém doce, atrás de mim:
- Não acho bacana ofender os criadores assim... Eles podem se chatear, sabia?



Ao virar, avistei uma garota de pele clara e de maquiagem e trajes escuros. Seus olhos chamavam a atenção: eram vermelhos! Provavelmente lentes de contato. As roupas escuras, meia calça escura, bota preta... Antes que eu pudesse terminar de formular meu pensamento sobre aquela criatura, ela se manifestou:
- Andrew Baron, o ator!
- Prazer, qual o seu nome?
- O que importa?
- Bom, você sabe o meu nome e me pegou falando mal do autor das esculturas... Então...



- Deixe-me lhe dizer algo: eu uso lentes de contato! Pronto, já sabe algo sobre mim!
- Ah vá! Que mal há em você me dizer seu nome? Não vejo problemas...
- O que eu dizia é que eu, como uma escultora, não acho bacana você ofender as obras alheias. – Ela sorriu.
- Ah é? Então você criou o vaso sanitário? – Dei uma risada. – Sinto muito, mas não despertou nada em mim... – Sorri.

A garota riu e disse:
- Ainda bem que não criei isso! Sou uma escultora moderna, mas gosto de manter a tradicionalidade... Esculpir pessoas, animais, alguns objetos...
- Esculpir pessoas? Nossa! Amaria ter uma escultura minha... 



Ela segurou as mãos.
- Seria um bom momento para isso... Falta menos de um mês para o fim do mundo! Temos de aproveitar! – Ela riu.
- Não acredito nessas bobagens... Mas... Se na última hora, eu ver que o bicho vai pegar, realizo meu desejo mais obscuro... – Sorri maliciosamente.
- Posso saber qual seria?
- Andar pelado por Bridgeport! Seria excitante!
- Ual! – Ela sorriu. – Espero poder ter o prazer de ver essa cena... Acho que a cidade pararia para ver!



Notei que já escurecia e falei:
- E então, não vai me dizer seu nome nem me dar seu telefone?

Ela riu. – As coisas são tão melhores ao acaso, Andrew Baron... Quem sabe?
- Bom... Qualquer coisa... Já sabe onde me encontrar... Gostaria de conhecer seu trabalho... E quem sabe encomendar uma estátua minha...
- Será um prazer!
- Até breve, senhora X. Ou incógnita...
- Até breve, futuro peladão!



Estava indo embora, desistindo de pedir o nome da garota, quando ela disse:
- Alexis Burnstrong! Esse é meu nome.

Sorri maliciosamente – sem que ela percebesse – e ideias brotaram em minha mente...
- Prazer, Alexis! Agora sei três coisas sobre você: seu nome, é escultora e usa lentes de contato vermelhas. Já sei como descobrir seu endereço e seu telefone...
- Aguardo a ligação! 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Adeus, Barnacle Bay!


“Eu deveria ter deixado a chave para a faxineira!” – Foi a primeira coisa que pensei quando pisei em meu apartamento.
O cheiro de banana – proveniente da minha “brincadeira” com a Sally – ainda pairava no ar, juntamente ao cheiro de pó e a um cheiro de comida estragada na geladeira. 



Fui até meu quarto e coloquei minha mala em um canto qualquer. Olhei para a parede repleta de murais.
- Enfim em casa!

Sentei sobre a cama e comecei a lembrar de meus últimos três dias...



“Eu estava na casa de Flora na última sexta-feira, quando recebi um telefonema do empata-foda Stanley, avisando que eu havia sido escalado para ser o protagonista do próximo filme que ele iria dirigir. Ele pediu para que eu estivesse no estúdio, segunda-feira às 9 horas da manhã.

Aquele trabalho iria deslanchar minha carreira de vez! Um filme de ação dirigido por Állan Stanley e com toda a atenção voltada a ele! Seria o degrau mais alto que eu iria pisar rumo ao estrelismo!



Ontem à noite fui ao casamento de Jessica – sem a companhia de Flora, já que ela recusou-se a ir -, mas pulemos essa parte mais... Err... Chata... E vamos ao que mais interessa: minha despedida!

A lua desaparecia no horizonte quando eu e Flora despedíamo-nos no terraço de sua casa:
- Você precisa mesmo ir? – Ela perguntou meio tristonha.



- Sim... – Falei sorrindo.

Ela fez uma careta e falou:
- Pois bem... Acho que aqui chega ao fim esse romance, não é?
- Não sei... Não posso ter certeza... Você aqui, eu lá... Eu não quero te magoar Flora. Não quero dizer: ‘Vamos namorar!’, sendo que quando eu chegar a Bridgeport, a vida vai ser outra... Eu não sou de me prender a relacionamentos, e deixei isso claro, não foi?
- Sim... Mas é que ainda me restava uma dúvida se eu havia sido capaz de mudar algo ai dentro de você...
- Você mudou, meu anjo... Mas eu não abriria mão da minha vida em Bridgeport para morar com você em Barnacle, e nem você sairia daqui para ir para Bridgeport, estou certo?



Eu a puxei pela cintura com força e falei:
- Eu sou um cara errado... Não estou afim de firmar um relacionamento sério... Sem falar que, sou muito imaturo para essas coisas...
- And, eu não estou te cobrando nada! Eu embarquei nessa aventura sabendo que acabaria assim... Eu posso ter despertado algo dentro de você, mas se for para ficarmos juntos... Um dia ficaremos! Nada é certo! 



Dei-lhe um último e longo beijo. Não um beijo de ‘adeus’, mas sim um de ‘quem sabe, talvez, até logo’. Flora havia sim despertado em mim o amor, mas nesse momento, eu prefiro priorizar minha carreira. Quem sabe no futuro eu a reencontre ou encontre alguma garota especial?”



Sai do meu “quase transe” e falei:
- Pelo que vi no blog do Christopher, ele voltou para casa e a Sally não está lá. Acho melhor ir dormir na casa dele do que ter de ficar em meio a essa poeira toda! Isso é: se a namoradinha dele não estiver lá!


Peguei o telefone e liguei para ele:
- Tentei te ligar ontem à noite, galego! Estava no motel foi, seu safado?
- And, menos!
- Ops! A gata deve estar ao lado! Foi mal! Espero que tenha deixado as demais garotas de Bridgeport com fôlego e que não tenha acabado com o estoque de camisinhas da cidade, porque Andrew Baron está de volta! E em abstinência sexual!
- Abstinência? Você não ficou com a tal da... Fauna... Pólen...Tulipa...
- Flora!
- Isso! Não tava ficando com ela? 




- Querido, aprenda uma coisa: à medida que o homem envelhece e deixa de ter uma vida sexual ativa, aumenta a sua possibilidade de ter câncer de próstata, sabia disso? É comprovado cientificamente!
- E o que isso tem a ver, And?
- Galego, o sexo é anticancerígeno! E se variar a parceira, melhor ainda! Agora, mudando de assunto: a Gisely vai passar a noite ai?
- Não. Por quê?
- Ótimo! Prepara uma cama para mim que vou dormir ai hoje! Ah! E se puder, encomenda um jantar delicioso! Estou morrendo de fome!

E antes que ele pudesse falar qualquer coisa, eu desliguei! Sabia que o Chris não ia me levar a sério, mas eu iria para sua casa tentar me animar um pouco!

Depois eu que sou o complicado!


Olá, meus queridos fãs! Tudo bem? Eu sei! Vocês devem estar pensando que eu não atualizei ontem porque passei os últimos dias na cama com a Flora, não é? Mas não foi! Se bem que eu estava na cama com ela, mas enfim! O fato é que a culpa disso tudo foi da Rita! Ops! Digo, do Aníbal! Acreditam que ele tem andado meio triste esses dias? Pois é! Passou quase uma semana sem jogar comigo e não teve o que postar ontem! Ele anda tendo umas dores de cabeça, umas crises fortes de azia e pra piorar uma amiga (que também é a paixonite dele #prontofalei) vai embora! Enfim... Peço-lhes desculpas pela ausência!
Maaaaaas, como ele sabe que eu sou irresistível e um ótimo medicamento anti-tristeza, já voltou a cuidar melhor de mim hoje... Tirou metade das fotos (#incompetente), mas já é alguma coisa né? Se uma dor de cabeça que ele está tendo desde ontem passar, ele atualiza ainda hoje, ou, no mais tardar amanhã! 
Um grande beijo para as lindas do meu coração! E um abraço para os meus leitores do sexo masculino! 
Até mais!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Desfazendo Erros


Sabe quando você passa a sentir uma fome descomunal e sabe que não é gravidez? Então... Eu estava assim! Em um dos meus assaltos à geladeira durante a noite, fui surpreendido pelo meu cunhado:
- Você come coisas gordurosas? – Ele riu debochando. – Pra quem só vive em academia e comendo coisas saudáveis...

Ele iria completar, mas respondi:
- Se for me torrar a paciência, é bom sair de perto! Não estou nada amigável e só estou te aturando por que a minha irmã quer fazer a burrice de casar com você! E não, eu não gosto de você e não quero ter de conviver com você. Você é chato, patético e um idiota! Pronto, to mais livre!



Eu havia terminado de comer e me arrependi por ser tão rude com o Alexandre, mas eu não queria admitir isso. Ele sentou-se ao meu lado após pegar um suco.
- Sabe, Andrew... Você pode me achar um chato, um idiota, um patético... Eu não vou te dizer que estou feliz em estar morando na sua casa. Você não me conhece bem e não te julgo por ter uma visão errada de mim... Eu fui abandonado pelos meus pais quando pequeno... Eles eram envolvidos com tráfico e acabara me usando como moeda de troca para um pirata não matá-los. Eu fui ser um “faxineiro” do navio... Lá eu conheci um grande homem, que me adotou, me deu educação, uma boa vida... Ele morreu há quase um ano e estava super feliz pelo meu casamento com a Jessica... Eu perdi tudo o que tinha por causa de dívidas dele... 



Olhei para meu cunhado arrependido de ter jogado a minha raiva em cima dele.
- Sabe... A Jessica foi a única pessoa que me restou na vida... Ela e seus pais... Eu vim morar aqui por insistência deles... E eu queria esperar para casar com a Jessica quando eu tivesse uma casa, mas seu pai me propôs um emprego... Ele quer que eu cuide de um bar que ele vai abrir... Ele sabe que você nunca trabalharia nele...
- É... Não me vejo num barzinho aqui em Barnacle servindo um monte de piratas barrigudos. – Respondi sincero.

Ele riu.



Alexandre terminou de beber seu suco e colocou a embalagem sobre a mesa.
- Andrew, o Antônio sente muito a tua falta... Eu nem devia falar isso... Ele esses dias está diferente, mais feliz... A sua mãe também! Ontem eu fui buscá-la na igreja e ela contava para todas as amigas sobre você... A Jessica então... Nem se fala... Essa te ama! Você fica tanto tempo longe... Eles sentem a tua falta... E tenho certeza que você também... E eu vou sentir a tua falta.
- Vai é? – Sorri desconcertado.
- Vou... Porque você trouxe alegria pra essa casa! Sua mãe não precisa te ver somente quando você aparece na televisão, no cinema ou em alguma polêmica no jornal... Eu vou sentir falta da alegria que você proporciona a essas três pessoas incríveis! 



Pronto! O filho da mãe me deixou desconcertado... Desde que eu sai de perto de meus pais, não tinha mais o mesmo vigor de antes... A minha vida havia mudado em 360 graus, dado um salto duplo pra cima e eu? O que eu havia feito da minha vida? 

Meu cunhado levantou-se da cadeira:
- Boa noite! Dorme bem!



Alexandre foi saindo, e eu apenas me contive a dizer:
- Desculpa. Eu que estava errado o tempo todo... Não você!
- Desculpar do que? Eu não lembro de nada... Boa noite!
- Boa!



Fui pro lado de fora da casa por causa da insônia causada por aquela conversa. Eu estava vivendo uma grande mentira, onde pessoas fingiam gostar de mim e eu fingia gostar delas... Mas ali eu tinha pessoas que gostavam de mim de verdade, e embora eu não quisesse assumir, havia algo dentro de mim que clamava pela presença de Flora em minha vida... Eu estava amando pela segunda vez em minha vida, mas não tinha coragem de assumir. Uma coisa era certa: eu precisava de uma mudança em minha vida.



Estacionei meu carro na última parte de estrada e fui caminhando até a casa de Flora. Bom, se ela fosse vingativa como algumas garotas que eu conhecia, poderia muito bem me dar um tiro, uma facada, ou me afogar no lago... Olha só! Ela tinha até onde ocultar meu cadáver! Só que não... Flora era diferente, e foi confiando nisso que fui até sua casa.



Passei pelo portãozinho de madeira e bati palmas. Dali, avistei que a horta estava um pouco crescida já. Ela demorou um pouco e eu achei que ela estivesse sem querer abrir. 



Já estava tomando o caminho de volta, quando a porta se abriu e ela não fez questão de esconder sua surpresa:
- Andrew? O que faz aqui?
- Oi... Err... Flora! Eu... Eu... – Porra! Tinha que gaguejar? -  Eu vim aqui te pedir desculpas pela minha atitude... – Ela me olhou tentando entender. – Tipo, me desculpa por ter... Err... Como falo? Droga!
- Por ter me dado um fora? Ah! Fica tranquilo! Eu que te peço desculpas por ter me portado como uma oferecida... Mas é que eu achei que... 



Ela cortou o assunto e estendeu a mão:
- Amigos? – Sorriu.
- Amigos!
- Vem, entra! Eu estava me preparando para dar um banho na Violeta!
- Contanto que você não me ofereça suco de uva com linhaça... – Gargalhei.
- Pode deixar!



Ao entrar na casa, avistei que Flora havia trocado sua cama... Fiquei pensando: “Será que ela trocou a cama pensando em esquecer o que tinha imaginado acontecer?”
NÃO, ANDREW! A Flora não é assim! Ela não é como aquelas garotas ousadas de Bridge! MENOS!



Flora virou-se:
- E então, quer beber alguma coisa? Comer alguma coisa? Fazer alguma coisa?

E eu me peguei com uma cara de idiota admirando sua beleza. Como ela podia ser madura a ponto de ignorar tudo o que havia dito? 



- Ei, moço! Tá ficando surdo? – Ela riu.
- Ah não! Aceito sim... Uma água, que tal? Contanto que não tenha linhaça! – Ri novamente.


Flora foi em direção à geladeira e Violeta começou a chamar sua atenção:
- Oi filhota! Está com fome? Nestante vou dar seu banho está bem, meu amor? 



A gata saiu da sala e eu me vi olhando para Flora novamente.
- O que foi?
- Eu sou um idiota! O mais completo idiota!
- Hã? O que foi? 



Eu peguei sua mão delicadamente e falei:
- Eu quero te pedir desculpas, Flora... Eu falei aquilo naquele dia porque eu tenho medo! Medo de amar, medo de te magoar, medo de nos fazer sofrer! Você deve saber da minha fama, eu não sei se consigo me manter ligado a uma pessoa só... É arriscado! Perigoso! Eu não quero correr nenhum risco de te fazer sofrer. Eu só quero... Ah droga! Eu te amo! Sei lá... Você é diferente de todas as garotas que já conheci! Sempre que me aproximo de todas elas eu já quero logo ir pra cama e... Droga! Porque eu to dizendo isso? Com você eu só quero estar perto... É um querer bem... É mais do que apenas querer te beijar, te tocar... 



Flora me abraçou. E pela primeira vez na presença dela, eu senti que algo estranho corria dentro de mim. Tá. Não era dentro de mim, mas que foi proporcionado pela minha mente. O “mini-Andrew” resolveu voltar à ativa e fez com que eu sentisse que aquilo que eu estava sentindo por ela não era somente amor... Era muito maior...



Ela se afastou levemente do meu corpo:
- Eu... Eu sei que é perigoso, Andrew! Eu sei que é complicado! Você não vai querer abrir mão de nada, e nem eu vou querer abrir mão da minha vida aqui... Eu só quero sentir esse amor e não deixar que ele escape pelas minhas mãos! Eu quero sentir que você é um homem de verdade e não um manequim da mídia. Eu quero conhecer o que está por trás de Andrew Baron! Conhecer o seu interior mais do que o seu exterior. 



Ela pôs as mãos em minha cabeça:
- Eu quero olhar nesses lindos olhos azuis e descobrir o que a sua alma e o seu coração querem e não apenas o que algo ai em baixo demonstre estar querendo. – Eu fiquei um pouco envergonhado (siiiim) e ela me encarou. – Os teus olhos me dizem que você é um homem de verdade! Que você quer esse momento tanto quanto eu! Pode não dar certo, mas a vida é feita de incertezas, porque se ela fosse feita de certezas... Seria tudo muito chato! 


E dessa vez eu tomei a iniciativa e a beijei de verdade! Não apenas um selinho, como aconteceu dias atrás. Um beijo de amor, paixão! Um beijo com sentimentos maiores do que o tesão... Algo que eu nunca havia sentido!





Acariciei seu rosto. – Você tem certeza?
- Eu disse que nada é feito de certezas... Mas não custa tentar... – E ela sorriu. Aquele sorriso que me desorientava, que me fazia sentir um garoto de cinco anos de idade.



Levemente puxei sua roupa e ela me ajudou a despi-la. Flora parecia inexperiente, parecia não saber o que fazer... Parecia uma adolescente virgem e pura. Trajava um conjunto íntimo branco, algo que já era de se esperar. 



Deitei-a levemente na cama e ela se preocupou quanto à proteção.
- Está no bolso. – Mostrei a ela.
- Andrew...
- O que foi?
- Você tem certeza que quer viver isso?
- Você mesma disse que não há certeza em nada... Só que não custa tentar...

E o resto? Bem... Acho que todo mundo entendeu né?  

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sentimento


Como combinado, cheguei à casa de Flora pouco antes das 7 horas da manhã. Eu acordava cedo no período de filmagens, mas enquanto estivesse sem fazer nada, levantava lá pelo meio-dia.
Flora estava sorridente quando cheguei à sua casa! 



Nunca pensei que plantar fosse uma atividade tão complicada. Era preciso ter cuidado com a terra, com a semente, com tudo! E eu também nunca me imaginei plantando qualquer coisa desde a terceira série, quando a professora me pediu para plantar um feijão num algodão e... Bem... Não tive culpa se caiu água demais no vaso... Muita. Muita água!



Era quase meio-dia quando terminamos o plantio. Flora ficou extremamente agradecida a mim e eu amei a sensação de experimentar algo novo! Plantar não era lá uma das coisas mais bacanas de se fazer, mas era um ótimo exercício para a mente!



- Andrew, muito obrigado mesmo! Se não fosse você, acho que o verão chegaria e a minha colheita não estaria pronta! Eu uso as frutas que planto aqui pra meu próprio uso e maior parte eu entrego a uma instituição de caridade que tem aqui na ilha. Muito obrigado mesmo!
- Ah, Flora! Não foi nada! Sua companhia é extremamente agradável!
- Eu acho que tenho uma bela recompensa para você!

Eu JURO que não havia pensado em nada do tipo sexo, beijos, carícias e tal, mas quando ela falou isso, o meu lado meio... Ousado... Falou mais alto, mas mesmo assim, me fiz de desentendido:
- Recompensa? Que recompensa? 



É claro que eu tentei disfarçar meu descontentamento com a “recompensa” que Flora me deu: uma salada de outono.
Eu não entendia o meu jeito de ser com relação à Flora... Ela era uma mulher atraente, bonita, mas eu não sentia o mesmo que pelas outras garotas com as quais eu me relacionava. Era apenas um “querer ficar perto”...  Apenas isso.



Alguns dias depois...

Flora e eu havíamos criado um forte vínculo de amizade. Eu sei que vocês devem estar lembrando-se da minha fama de “conquistador”, mas eu não estava me aproximando dela com segundas intenções... Ou estava? Nem eu mesmo sabia o que se passava dentro de mim com relação a ela, mas eu me contentava em estar ali com ela todos os dias... Passeando, rindo, comendo, plantando, pescando... Não que aquele fosse o tipo de vida que me agradasse, mas não era ruim.
- A vista é realmente linda! – Admirei a vista da casa de Flora poucos instantes após sentarmos no banco que ficava na varanda.



A noite estava fria, por isso estávamos devidamente agasalhados.
- Que bom que você gostou, Andrew! Fico feliz! Acho que a vista dessa casa é o que me mantém aqui! Eu não aguentaria ficar longe disso tudo!
- Somos dois! Eu, no meu estilo de ser, amo a vista do meu apartamento! Aquela agitação... AMO!

Ela sorriu e indagou:
- Você está com frio? Se quiser, vamos entrar e eu faço um chocolate quente! 
- Hum... Quer dizer que a senhorita faz chocolate quente? E eu achando que você iria me oferecer um chá com alguma erva! – Gargalhei.
- Não sou assim! Quem não resiste a um chocolate? 



Rimos e Flora manifestou:
- Hein? Vamos entrar? A vista daqui é maravilhosa, mas eu estou com MUITO frio! 



Coloquei meu braço atrás de Flora e falei:
- Você não vai me fazer perder esta vista! Vem cá! – Puxei-a para um abraço.
- Não precisa, Andrew! – Ela ficou levemente ruborizada.
- Precisa sim! Para com isso!

Flora cedeu e permitiu que eu a abraçasse.



Alguns segundos após eu tê-la abraçado, Flora falou:
- É... O frio passou! Você conseguiu me aquecer! Satisfeito?
- Sim! – Sorri.

E então surgiu aquele clima! Se é que me entendem...
Ficamos nos olhando por alguns segundos...
- O que foi? – Flora me perguntou sorrindo.
- Você é linda, sabia? 



- Ah... Acho que sei! – Ela riu. – Meu avô sempre disse isso! – Ela riu mais ainda.
- É sério... Eu estou amando passar esses dias com você... A tua companhia me faz tão bem... Eu me sinto vivo, feliz!
- Como assim?
- Não sei... É algo diferente de tudo que já consegui imaginar... Você não é como as garotas com as quais eu costumo lidar em Bridgeport, aquelas ousadas, as oportunistas... Você é pura... Incrível...



Flora não permitiu que eu terminasse meu monólogo sobre suas inúmeras qualidades e deu-me um beijo rápido – um selinho – e segurou minha perna com força, como se temesse algo. 



Levantei-me rapidamente e notei um leve constrangimento em Flora.
- O que foi? Eu... Desculpa! Eu achei que estivesse rolando algo entre nós.



Flora levantou e virou meu corpo em sua direção.
- Desculpa! Eu não quero estragar essa amizade! Gosto muito de você, Andrew! Como nunca gostei de cara algum... Mas... Eu achei... Você demonstrava...
- Flora, calma! – Falei interrompendo sua fala. – Eu estou sim... Eu estou amando ficar ao teu lado... Estou amando conhecer você melhor... Eu estou amando... Estou amando você! Eu só amei uma garota até hoje... E isso já tem uns sete anos! Eu vim para Barnacle Bay para o enterro dessa garota... Eu... Eu não sei se vou te proporcionar o que você merece!
- O que eu mereço é o que você já tem, Andrew! Amor!



DROGA! Não podia estar acontecendo comigo! Não mesmo! Eu! Logo eu! Andrew Baron! Um dos maiores garanhões de Bridgeport, apaixonado!

- Flora, eu sou um galinha! Eu não sei se vou conseguir ser fiel! Eu não sei se vou aguentar viver uma vida de “casal”. É isso que você merece! Um homem que possa ser seu por inteiro! E eu... Eu sou só um cara de 24 anos, mimado, egocêntrico que não consegue ver uma mulher passar pela frente e já quer levar pra cama! Eu não sou o cara para você!
- Andrew... Eu sei bem como você é! Os jornais sempre falam de você e das suas inúmeras conquistas... Mas todo ser humano é passível a mudanças... 



- Eu... Eu sei disso! Mas eu não sou o cara que você merece... Eu sinto muito... Eu... Acho melhor eu ir!

Sai da casa de Flora sem nem ao menos me despedir. Eu sabia o quanto a estava magoando, mas preferia evitar um suposto relacionamento e fazê-la sofrer no futuro.



Cheguei em casa e todas as luzes já estavam apagadas. Tranquei-me no banheiro e esbravejava em baixo tom:
- Dane-se! Andrew, acorda! – Dei um tapa no meu rosto. – Você é Andrew Baron! Você não se apaixona por ninguém! Você está carente! É isso! Você ficou mexido com a história da Rebeca, o Lucas, o casamento da sua irmã! Foda-se! Cansei! Não sou assim! Eu não me apaixono! Eu estou confundindo as coisas... É isso!

Fiquei ali por mais alguns minutos lamentando as mesmas coisas, até que o sono bateu mais forte e fui dormir.