sexta-feira, 29 de março de 2013

Um Almoço com Sally


Já passava do meio-dia quando cheguei ao Restaurante do Steve. Sally ainda não havia chegado, mas ela me avisou que atrasaria um pouco.




Sentei para esperá-la sem beber. Bebida pra mim só depois que escurecer!
Sally chegou e logo me avistou:
- And! – Ela gritou



Levantei e nos abraçamos:
- Pestinha! Quanto tempo! Achei que você não fosse voltar mais! Sunlit tem tantos homens assim?
- Bobo! Digamos que não “morri na praia”... – Ela riu. – E você, como está?
- É... Bem!



Sentamos e logo procurei saber do galego:
- Ah And! Ele está normal... Quero dizer, normal para os últimos tempos... Ando muito preocupada com o Chris. Ele te contou sobre...
- Sobre a Analiy? Contou!
- Fico mais tranquila em conversar contigo então. Não queria conversar sobre algo que ele não tivesse te contado.
- Na realidade, eu os flagrei em Monte Vista, quando tudo começou. De lá para cá, ele começou a ficar estranho, sem sair, sem me ligar sempre... Enfim, fiquei preocupado! Até que no início de fevereiro eu fui até lá vê-lo. Fiquei preocupado. E ai peguei os dois com a boca na botija!
- Ele te explicou?



- Acho que deve ter te contado a mesma história... Aquilo ali parecia algo de outro mundo! Sei lá! Será que a Analiy é um alien? – Soltei uma forte risada.
- Ai And! Que horror! – Sally soltou uma forte gargalhada. – Você é terrível!
- Desculpa! Não resisti! – Voltei a rir. – E ele? Como está?
- Não muito bem... Ao que tudo indica ele está “conhecendo melhor” uma outra garota. Seu nome é Vicky! Ele a conheceu no Joy Club!
- Iiih! – Falei fazendo uma cara meio repreensiva. O Chris sempre me demonstrou ser um cara certinho, que um dia encontraria uma garota ideal, casaria e teria sete filhos – exagero -, mas, ultimamente, não era bem assim...
- Não, não! Ela é uma ótima pessoa! Um amor de pessoa! E você nem pode julgar, And! Já passou da hora de você bancar o protetor do Chris!



De fato, eu sempre tentei proteger o Chris dos outros! Eu parecia mais um pai do que um amigo.
- Vocês nunca mais se falaram?
- Não. Acho que ele deve ter se chateado. Sabe que não concordava com esse relacionamento com a Analiy.
- Vamos dar tempo a ele! Eu tenho certeza que ele vai voltar a ser o bom e velho Chris de antes...
- Tomara! E você? Como foi em Sunlit?
- Ah! Problemas amorosos... Nada ao extremo! Como diriam: até a uva passa, então... Passou! Ou não. – Ela riu. – E você? Recuperado do “pé na bunda”? – Ela me olhou com uma expressão irônica.
- Tosca! Não foi um “pé na bunda”! Ok. Foi. – Ri. – Mas estou melhor!
- E você continua gostoso, sabia? Essa sua barba então... Ai! – Vocês sabem como a Sally é, não é mesmo?



- Sabe que eu até gostei dessa “nova” Sally? Você não está mais me “atacando”. – Dei uma leve risada.
- ÓBVIO! Você não faz a menor ideia de quão trabalhoso foi tirar aquele cheiro de banana do meu quarto e do meu corpo! – Ela fez uma drama.
- Ah vá! Sally, confessa que você achou mesmo que naquela noite ia rolar. – Dei risada. – Mas você sabe que fiz aquilo para juntar o Chris com a Gisely né? Quem manda você ser uma chata!
- Ai And! Eu não pego mais tanto no pé do Chris! Só essa história dele com a Analiy que me deixou meio bolada pelo simples fato dela ser casada!
- E que tal falarmos da vida dos outros enquanto comemos?



Comemos e, assim que acabamos, nos direcionamos para a frente do local:
- Tem certeza que precisa ir, Sally? Podemos ir até minha casa! Ou quem sabe abrimos uma boate hoje?
- Não dá, And! Tenho algumas coisas para resolver... Fica pra próxima, ok?
- É. Tudo bem!

Demos um abraço e Sally foi até o carro de Matthew e partiu.



Era um fato: eu estava me sentindo só!
Como assim? O que estava acontecendo comigo?
Antes que eu pudesse raciocinar sobre meus conflitos internos, meu celular tocou.



Era da H&M Fashion com uma proposta irrecusável!
Eu seria o modelo da coleção Outono/Inverno de 2013!

Trabalho! Ai está um bom motivo para esquecer os problemas!

*-*-*-*
OBS.: Houve um pequeno problema com a postagem que fiz e tive de colocá-la novamente ;]

domingo, 24 de março de 2013

Uma Fã – Parte II (Final)


Convidei Jaque para entrar. Não demorou muito e ela me deu um forte abraço.
- Ai And! Como é bom te ver! Nossa! Eu estou MUITO feliz!
- Eu também estou MUITO feliz em te conhecer, Jaque! E você é muito mais bonita pessoalmente! - Sorri.
- É. Eu sei! – Ela riu. – Brincadeira! Nossa! Como você está?
- É... Você viu o que me aconteceu, então não ando muito bem... Mas é a vida!
- Ai, And! Torça para que a Flora não esteja em Bridgeport! Não quero ser presa por agressão física! – Jaque sabia demonstrar seu “ótimo” humor.


Ri com sua piada e indaguei:
- Mas o que faz em Bridgeport?
- Vim participar de um congresso! Não sei se já te falei, mas curso Medicina Veterinária. Estão fazendo várias palestras sobre a importância de hospitais veterinários públicos e vim conferir.
- Que bacana! Sempre gostei de animais, mas não tenho muita paciência para lidar com eles... Tenho alguns peixes em meu aquário e uma gaiola para hamsters, mas digamos que eu prezo pela vida dos pobres animais.

Jaque riu.



- E então, aceita alguma coisa? – Perguntei.
- Aceito! Aceito que você me leve a alguma balada hoje! Daqui a duas horas tenho uma palestra, mas à noite estarei livre para curtir Bridgeport! Não quero te forçar a nada, é claro, mas acho que você deveria ser gentil com uma fã que veio especialmente te ver no dia do aniversário dela!
- Nossa! Parabéns, Jaque! Então fica tranquila! Você irá sair hoje à noite comigo! Você prefere um pé-sujo, um barzinho ou algo mais sofisticado?
- Querido, até o lixão fica sofisticado em sua companhia! – Acho que vocês notaram como Jaque tem um ótimo humor e como ela sabe inflar mais ainda meu ego, não é mesmo?


Caminhei com Jaque até a área externa. Ela parou e disse:
- Sabe, And... Pode parecer estranho o que vou dizer, mas... Eu vim também por outro motivo! Ando preocupada contigo... Sabe... Não nos conhecíamos pessoalmente, mas tenho uma grande afinidade por você... E...
- E?
- E não gosto de te ver triste... Sei lá! Cadê o Andrew que conheci? Cadê aquele cara agitado, pegador, palhaço, que conheci? Você anda tão pra baixo... Sei lá!
- Agradeço a preocupação, Jaque... Mas eu já estou melhor! Acho que conversar com a Flora em Champs Les Sims me deu um novo ânimo, sabe? Eu ando bem preocupado é com o Chris... Ele se isolou muito, eu também... Não nos vemos há um bom tempo!
- Não acha que é hora de vocês passaram um tempo ao estilo “clube do bolinha”? 


E Jaque tinha razão. Já iria fazer dois meses desde que estive na casa de meu amigo e descobri sua relação com Analiy. De lá para cá nos falamos apenas pelo facebook, onde descobri que meu amigo havia ficado mais “loiro”. Aliás, Sally também havia voltado de Sunlit Tides e eu ainda não a havia visto.

Minha amiga foi para uma palestra e marquei de encontrá-la no Bar Esportivo de Bridgeport às 19h. Sai um pouco mais cedo. Estava com tanta saudade de minha cidade. Ah! Aquele ar poluído, as buzinas... Vocês podem achar maluquice, mas não é! Eu dirigia ao ritmo de Golden People, do Mr. Jam, que tocava no volume máximo em meu carro.



Logo na saída da ponte avistei um grande outdoor estrelado por ninguém mais, ninguém menos, que Lana Turner! A sua beleza já tirava qualquer homem do sério, e os que a conheciam, afirmavam que ela era capaz de levar qualquer homem à loucura! Fiquei extasiado com sua foto que, por pouco, não invadi uma calçada. Melhor ver suas fotos apenas pela internet. É mais seguro!



Ao chegar ao local combinado, lembrei-me de um mero detalhe: o bar era restrito! Não seria gentil de minha parte ir com Jaqueline a outro lugar. Entreguei “alguns” simoleons ao leão de chácara e dei o nome de minha amiga. É claro que eu sou contra irregularidades, mas por uma amiga de verdade, vale à pena!



Não demorou muito e minha amiga chegou. 
- And! – Ela me chamou ao entrar.



- Sinto muito se o local estiver “meio” vazio... Os jornais já noticiaram melhor os locais quentes. – Sorri.
- Não tem problemas, seu lindo! E então? Tequila?
- Sempre!



Bebemos, conversamos, dançamos... Enfim! Tivemos uma noite completamente agradável! É claro que Jaque não deixou de me dar algumas “alfinetadas” sobre a Flora e/ou sobre meus relacionamentos amorosos, mas eu nada poderia fazer para mudar seu jeito de ser.



Após a meia-noite levei Jaque até a pousada onde ela estava hospedada. Ela não sabia se nos veríamos ainda, pois eram palestras e mais palestras, mas que me avisaria caso tivesse um tempo. 



Cheguei em casa e tive uma ideia. Peguei meu celular no bolso e digitei uma mensagem:
“Será que podemos almoçar juntos? Abraço!”

*-*-*
Agradecimentos à P@h pela foto de Lana Turner! 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Uma Fã – Parte I


Quando voltei para a casa, vi que o tal do Pierre Collet não havia levado o fogão que pedi. Ótimo! Agora desisto!

Eu já estava cansado de Champs Les Sims... Aliás, eu só havia ido para lá e ficado por três motivos:
• O Festival
• Meg e Gustave
• Bèatrice

Porém, meus motivos estavam encerrados, ocupados ou muito ocupados. No dia seguinte, enviei mensagem para os três e parti de volta para Bridgeport. 



Ao final da tarde, cheguei a Bridgeport. Eu estava extremamente cansado! Fui dominado por uma terrível dor de cabeça... Foi só pisar em minha casa que os problemas vieram à tona... O processo da Jessica e da Begônia contra o Caio, a tristeza do Christopher e os meus próprios problemas.



Acabei nem vendo minha irmã ao chegar. Aliás, creio que ela nem tenha percebido. Afinal, fui direto para meu quarto e dormi por mais de doze horas seguidas.
Acordei, no dia seguinte, com um cheiro maravilhoso de waffle. Minha irmã deveria estar prestes a sair de casa e não seria justo não comunicar minha volta.



- Droga! Eu odeio me atrasar! Odeio! Odeio! Odeio! – Jessica reclamava enquanto comia.
- Vai ver é porque a senhorita deve ter saído e voltado tarde ontem! Onde esteve?
- Andrew? – Ela olhou para trás assustada. – Você não devia estar em Champs Les Sims?
- Não! Eu deveria era estar aqui! Explique-me porque chegou tarde em casa ontem!
- Fui em uma festa ontem com o pessoal do jornal! Uma colega de trabalho vai se mudar para o Canadá e então fomos fazer uma despedida! Nada demais!



Sentei-me ao seu lado e falei:
- Acho bom! E então, como andam as coisas por Bridgeport?
- Estive forever alone esses dias! Você viajando, a Luma também, o Christopher naquela mesma de sempre... Enfim!
- Sua amiga Luma? Ela viajou?
- Sim! Foi pra Champs Les Sims um dia após você!
- Estranho não tê-la encontrado! Aliás, encontrei tanta gente naquela cidade! – Sorri.
- Inclusive a Flora! - Minha irmã falou com certo deboche.
- Sim! Como sabe?
- Begônia me contou! Mas quero saber sobre sua viagem... Conte-me tudo!



Contei para minha irmã sobre a beleza de Champs Les Sims, sobre os maravilhosos néctares de lá, sobre meu encontro com Meg e Gustave, sobre meu encontro com Bèatrice – é claro que omiti os detalhes sórdidos – e sobre minha conversa com Flora.
Não demorou muito e minha irmã foi para o trabalho. Eu estava de volta a minha zona de conforto.

Resolvi passar o dia em casa, apenas curtindo a minha “adorável” companhia. Coloquei uma sunga e me joguei na piscina. Já fazia um bom tempo que eu não ia a uma praia – acho que a última vez foi num passeio a Sunset Valley com o Chris – e já estava ficando branquelo igual a um certo criador deste blog. Coloquei um colchão inflável e me dispus a não fazer absolutamente NADA.


Eu teria permanecido ali mais tempo se não tivesse ouvido uma voz fina e doce vindo da grade:
- Lindo! Gostoso! – Notei um tom de brincadeira na voz da pessoa.

Ergui meus olhos e avistei uma garota, de pele morena e cabelos castanhos, que estava próxima à grade. 



Sai da piscina e caminhei até ela, dizendo:
- Não se deve elogiar tanto alguém egocêntrico... – Sorri.

A garota retribuiu um sorriso amarelo e disse:
- Você é mais lindo ainda pessoalmente! E que... Ui! E que abdômen!
- Hum... – Sorri. – Pelo visto você deve admirar não somente meu lado artístico, mas também minhas outras “qualidades”, não é?
- Quem manda você ser um gostoso, And?

Eu já havia visto aquela forma de falar em algum lugar, e não foi difícil lembrar quem era:
- Jaque?
- Surpresa, amour!

*-*-*-*
Galera, quero dedicar essa atualização com MUITO carinho pra minha querida amiga Jaque, que está fazendo aniversário hoje! Amor, depois que falei contigo hoje foi que me toquei que era seu aniversário e te peço MIL PERDÕES! Ando tão atordoado com minha vida que acabo me esquecendo! Quero te desejar um feliz aniversário, muita paz, muito amor e MUITAS felicidades! Eu prometi uma foto né? Ai estão várias! E domingo tem mais! Um grande abraço a todos!

domingo, 17 de março de 2013

Encontros e Desencontros em Champs Les Sims – Parte V (Final)


Após entrar em casa, fui tomar um banho quente e vestir meu pijama. Ao voltar pro quarto, notei que as janelas estavam levemente embaçadas... Era o inverno chegando.
Peguei meu smartphone e, após olhar alguns sites, confirmei que nevaria naquela noite. Não seria nada bacana deixar a lambreta do lado de fora. Provavelmente ela não funcionaria no dia seguinte se ficasse no frio.
Lembrei-me de um galpão que havia na lateral da casa. Coloquei-a lá. Pelo menos não correria o risco de ficar sem meio de transporte em pleno inverno.



Estava indo em direção à cozinha quando algo, embora não tão grande, chamou minha atenção para a mesa. Um prato. Lembro-me de ter lavado o prato do meu café da manhã, mas... Como aquele prato teria ido parar ali? Será que Pierre Collet passou por ali e deixou o prato? Achei estranho. Para todo caso, trancaria a porta da casa. Algum paparazzo poderia estar de olho em minha vida...


O cansaço, associado ao frio, me fez dormir como uma pedra. Porém, algo me chamou a atenção... Um perfume... Era maravilhoso... Eu não consegui definir de que era feito, afinal, nunca fui ligado a isso, mas havia um aroma no ar... Um aroma feminino. 



No dia seguinte, ao olhar pela janela, pude ver como Champs Les Sims estava bela. A neve tomou conta da paisagem verde que dominava a região. Apesar de alguns ruídos ao redor e dentro da casa durante a noite, consegui dormir bem.

Tomei um relaxante banho de espuma para poder sair. Não ficaria enfurnado em casa com toda aquela paisagem e com todas as oportunidades que aquela cidade poderia me proporcionar.



O único problema daquela casa era a falta de um fogão. Mais um motivo para ligar para Pierre Collet! Acha que, porque sou turista, não posso comer minha própria comida? Ele teria de resolver. Aliás, procurei algumas coisas na geladeira... Pierre havia comprado algumas coisas, mas nada que eu pudesse chamar realmente de comida.



Assim que sai de casa, liguei para Pierre. Ele prometeu que providenciaria o fogão naquele dia mesmo. Perguntei também se ele havia aparecido na casa e ele me informou que não. Bingo! Algum paparazzo estava invadindo a casa à procura de algo meu. Por sorte, deixei trancadas tanto a porta da casa quanto a de meu quarto. 



A lambreta demorou um pouco para funcionar. Após alguns minutos eu pilotava em direção à livraria da cidade. A paisagem era outra... Completamente diferente! E, ao invés de me fazer refletir sobre a vida, me fez sentir um baita frio!



Procurei por alguns livros de culinária por lá. Olhei as poucas prateleiras que ali haviam e indaguei à dona do local, Lea Dutiel:
- Où puis-je trouver des livres sur la cuisine française (Onde encontro livros de culinária francesa)?
- Premier étage (Primeiro andar).



Subi as escadas e logo avistei a estante, porém, além dela, avistei uma pessoa: Flora. Será que Champs Les Sims tinha de ser tão pequena a esse ponto? Estávamos apenas nós dois ali. Fiquei sem saber o que fazer. Pensei em descer as escadas e voltar outra hora, mas seria uma infantilidade imensa de minha parte.
Antes que eu decidisse o que fazer, Flora voltou-se em direção a uma poltrona. Ela me avistou e parou. Abaixou a cabeça e manteve-se inerte. Falar ou não falar? Fugir ou não fugir? Ignorar ou não ignorar?




Ela caminhou novamente até a estante e guardou o livro.
- Eu volto outra hora. Não se incomode. – Ela falou.
- Não estou incomodado. Tenho motivos?
- Você deve me odiar! Aliás, eu te dei motivos pra isso, não?


Ela fez menção de sair e eu a segurei pelo braço:
- Flora, vamos parar de ser infantis? Acho que esse jogo de gato e rato já deu! Você terminou comigo, eu me chateei, você seguiu sua vida e eu estou seguindo a minha. Será que não podemos ao menos conversar como pessoas civilizadas?

Ela me encarou. Aquele olhar tristonho e tímido que conheci. Após alguns segundos, ela apenas falou:
- Desculpa. – Saiu quase como um sussurro. – Eu fui uma completa idiota! Você não merecia que eu agisse daquela forma, mas as circunstâncias me obrigaram.
- Quais circunstâncias? – Perguntei sem entender.
- Você, eu... Meu trabalho. Eu precisava disso, Andrew! Mas eu não queria correr o risco de te perder depois... Não quis me alimentar com esperanças de que você se manteria fiel a mim.



Abaixei a cabeça e disse:
- Eu me manteria. Por amor...

Flora engoliu seco e disse:
- Tudo que fiz foi por amor.
- Por amor? Terminar um romance é algo que você faz por amor, Flora? Não... Não é!
- É. Acredite. Olha, não quero discutir sobre meus motivos, sobre suas novas paixões, sobre minha vida... Se voltarmos a conversar casualmente, quero que evitemos esses assuntos.
- Por mim tudo bem, afinal, eu fui o mais prejudicado. – Fui irônico. – Aliás, cadê seu namorado? Não veio?
- O Chang não é meu namorado! Ele foi pra China depois de um belo tapa na cara e algumas verdades. Naquela noite ele me agarrou à força. Ele foi meu colega em Bridgeport. Fazia intercâmbio. Nos reencontramos em Shang Simla e ele vinha também para o Festival. Fiquei mais alguns dias porque tenho de fazer umas pesquisas para o restaurante. – Ela respondeu rapidamente, ignorando minha ironia.


- Hum... – Fiquei sem palavras com tamanhas explicações.
- Ah! A Begônia me contou tudo o que você fez por ela... Eu te agradeço.
- Não foi nada... Eu faria por qualquer pessoa que conhecesse. – Pensei em mencionar sobre a mensagem de minha ex-cunhada na noite anterior, mas evitei.
- E então, o que procura?
- Livros de culinária! Quero me aperfeiçoar na culinária francesa!
- Hum... Acabo de ver ótimos livros aqui. Vem!



Flora e eu separamos alguns livros e fomos até o outro lado da praça para beber algo quente. Ela quis sentar do lado de dentro, porém, afirmei:
- De que adianta encarar o inverno se for em um lugar fechado?

Conversamos ali por um bom tempo. Almoçamos, rimos, enfim... Estávamos agindo como bons amigos, apesar de tudo que havia acontecido.


Já passava das quatro horas da tarde quando percebemos o horário. Levantamos e nos despedimos.
- Tem certeza? Não quer ir até a loja de relíquias? – Indaguei.
- Não dá... Tenho de arrumar minhas coisas... Embarco amanhã cedo pra Shang Simla, mas em breve vou à Bridgeport! – Ela sorriu.
- E você sabe onde me encontrar... É bom você ir mesmo! Sua irmã precisa de você.



Eu senti vontade de beijá-la. Vontade de tocar seus lábios e seu corpo ao menos uma vez, porém, não o fiz. Eu tinha de respeitar sua vontade.
Distraí-me em meus pensamentos e Flora indagou:
- Está tudo bem?
- Está! – Respondi balançando a cabeça. – Apenas me lembrei que tenho de comprar uns ingredientes. – Sorri.

Despedi-me dela e caminhei até a livraria para pegar meus livros. Em seguida, fui até o mercado.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Encontros e Desencontros em Champs Les Sims – Parte IV


Encarei aqueles olhos claros e astutos e fiquei inerte por alguns segundos. Alguns meses haviam passado desde que nosconhecemos em Moonlight Falls, mas ela continuava a mesma!

- Miel (querido), tem certeza que vai admirar minha beleza justamente aqui?

Bèatrice me levou até uma pequena sala ainda no porão e fora da tumba e explicou que ouviu minha voz. Acabou por procurar a pessoa e me seguiu pela tumba, fazendo questão de deixar as portas abertas. 



- Não acredito que você nunca ouviu falar das tumbas francesas! São umas das mais perigosas! O que faz aqui?
- Eu vim para um passeio... Conheço a esposa de um dos donos.
- De um dos Denver? Ual! Acho que você me será útil, Baron! – Ela riu. – Estou fazendo uma pesquisa sobre a história da família Denver... Eles sempre foram extremamente influentes no mercado de vinhos.
- Algo que uma historiadora sagaz e astuta sabe fazer muito bem! – Lembrei-me que ela estava noiva em nosso último encontro. – E o noivado? Já casou?



Bèatrice ficou meio desconcertada e disse:
- Não aconteceu... – Ela fez uma leve expressão de tristeza. – Digamos que não suporto homens que queiram mandar em mim! Não me imagino cozinhando para meu marido! Jamais!
- Sinto muito... Mas veja o lado positivo: você está solteira e pode concluir suas pesquisas!
- E curtir a vida também... – Ela sorriu.



Encarei seus olhar malicioso e disse:
- Acredita que estava pensando em uma forma de te retribuir por ter salvado minha vida? Se quiser, posso te apresentar a Gustave Denver e sua amada esposa.
- Só isso? – Ela desdenhou. – Tenho certeza que você deve ter alguma oferta a mais... Lembro que em Moonlight Fallsestávamos nesta mesma situação... Isolados em algum lugar, próximos a umbanheiro...
- Se você quiser, podemos continuar o que não terminamos naquela noite... – Sorri.
- Será um prazer! – Ela sorriu maliciosamente.



Puxei Bèatrice para um beijo inesperado. Seus lábios eram quentes e sua língua era rápida. Sentir seu corpo colado ao meu novamente era inebriante. Seu perfume adocicado ainda estava em minha memória olfativa.



Ela me puxou para um banheiro que havia por ali. Confesso que tive medo de sermos flagrados, mas não seria a primeira vez que cometia tal loucura. E, se tratando daquela francesa, valia a pena todo e qualquer risco!



Já era noite quando voltei à superfície. Bèatrice foi pegar suas coisas e ficou de me ligar no dia seguinte para me apresentar o resto de Champs Les Sims. Meg e Gustave aguardavam-me preocupados:
- Onde você estava, cara? Ficamos preocupados! – Gustave falou.
- Acredita que fiquei preso em uma espécie de tumba? Consegui sair a poucos minutos! Uma historiadora me resgatou. Eu a conheci uma vez em Moonlight Falls e ela acabou me mostrando algumas relíquias.
- Pena que são todas patrimônio francês! – Disse Gustave. 



Meu celular vibrou e recebi uma mensagem de Begônia:
“Fui até sua casa e sua irmã me falou que você viajou. Espero que esteja curtindo a França! Já dei entrada com ela no processo de assédio sexual contra o Caio. Ah! A Flora me ligou... Ela disse que te viu... Andrew, o tal cara beijou ela à força! Acho que vocês deveriam conversar! Mas não quero me meter... Abraços!”

A única coisa que respondi foi:
“Você está certa. Não deve se meter... Está bom assim. Beijos!”