domingo, 8 de setembro de 2013

Uma Nova Chance


Eu sabia muito bem do que eu estava precisando: um exílio! Eu precisava de um tempo sozinho. Um tempo em que eu pudesse pensar sobre minhas atitudes, minha vida e até mesmo minhas escolhas! Eu não abandonaria minha carreira, não deixaria de ser Andrew Baron, o ator. Porém, todo o meu sucesso foi repentino. Em um dia eu saía da Escola de Belas Artes da Universidade de Twinbrook, no outro eu havia me tornado um dos atores mais bem pagos de Bridgeport. Eu precisava respirar e eu sabia muito bem quem poderia me ajudar...


- Meu filho, você não avisou que viria! Que surpresa boa, meu príncipe! – Mamãe falou assim que eu entrei em casa.
- Oi, mãe! Cadê o papai?
- Ele está lá dentro... Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu e não aconteceu... Eu converso com os dois.


Contei aos meus pais sobre o ocorrido com Flora. Minha mãe disse:
- Ela não podia ter feito uma coisa dessas! Ela foi uma irresponsável!
- Cassandra, tenha calma! Meu filho, você está bem?
- Sim. O que não tem remédio, remediado está! Mas eu não vim aqui diretamente por isso... Pai, cadê o seu barco?
- O barco que eu comprei quando me aposentei?
- Exatamente! Cadê ele? 


- Ué! Está no cais! Por que esse súbito interesse? Quando você fez 18 anos eu te dei aquele barco de presente e você não aceitou...
- Você me empresta ele?
- Que história é essa, Andrew? – Mamãe perguntou.
- Eu preciso de um tempo só! Eu estou confuso, agitado, nervoso, triste... Eu preciso respirar, mãe! Eu não posso viver assim tão aflito. Eu preciso parar!
- E por que você precisa do barco, filho? – Meu pai perguntou.


- Eu vou viajar nele! Alguns dias, semanas ou até meses... – Falei.
- Andrew Joaquim Marshal Baron! – Quando mamãe usava o “Joaquim” (J com som de R) para se referir a mim, ela estava com raiva. – Você não vai viajar sozinho de barco por aí! Você nem sabe pilotar um barco, garoto!
- Em primeiro lugar, você sabe que eu odeio o Joaquim, portanto, não use-o! Em segundo lugar eu aprendi sim a pilotar um barco e tenho até habilitação para isso!
- Quando você aprendeu? – Ela perguntou.

Papai pigarreou.
- Eu ensinei quando ele ainda morava aqui. Depois ele tirou a carteira... 


- Você ensinou o Andrew a pilotar um barco, Antônio? Com quantos anos? – Mamãe estava ficando visivelmente nervosa.
- Ah... Com uns 17, talvez 15... Com 13 anos!
- IRRESPONSÁVEL! – Mamãe berrou. – Andrew, você não viaja! Antônio, você dorme na sala!

Mamãe deu as costas e eu falei:
- Se a senhora não apoiar, eu vou e ainda levo o papai!


Ela virou furiosa e disse:
- Você herdou a minha afronta, Andrew! Um dia eu saí de casa com esse velho barrigudo para viver uma aventura romântica e nunca mais voltei pra casa! Meus pais nunca me perdoaram!
- Eu já sei dessa história e blá blá blá! Eu não vou viver uma aventura amorosa e muito menos vou embora para sempre! Se você não aceitar, aí eu sumo! Eu e o papai! Não é pai?
- Não me coloca na confusão!
- E então, mãe? Vai deixar ou não?
- Deixo com uma condição! 


- Que condição? – Perguntei assustado.
- Quando você pretende viajar?
- É apenas o tempo de eu comprar comida para o barco!  
- Ótimo! Então pode ir, mas me aguarde no cais com a minha condição!
- Mamãe...
- Você vai amar, meu filho!


Comprei a comida e papai me levou até o cais. Entramos no barco e papai me deu algumas instruções e um mapa – que eu utilizaria em último caso, afinal existe o GPS!
Ouvimos a voz de mamãe do lado de fora do barco.


Chegamos até lá e mamãe falou:
- Filho, lembra qual seu maior sonho da infância?
- Revista Pornô?
- Andrew! – Mamãe repreendeu.
- Tá bom! Não lembro...
- Você queria uma coisa... 


Mamãe se abaixou do lado da parede e trouxe consigo um filhote de Dálmata:
- É seu, filho! A cadela de uma amiga teve filhotes e eu iria levar pra você em Bridgeport...
- OI? – Perguntei sem acreditar. – Não, mãe! Eu não vou levar um cachorro comigo! Ainda mais um filhote! E se ele cai no mar?
- Exatamente por isso ele vai com você para ser bem cuidado e para que você zele pelo bem estar dele.
- Mãe, eu não vou levar esse cachorro!
- Você vai e ponto final! Ele é seu! 


Não havia como discutir com minha mãe! Até que seria bom ter a companhia do sorvete de flocos comigo. Abracei meus pais, coloquei as coisas do cachorrinho dentro da casa e liguei o barco. Eu não tinha um destino certo. Deixaria a correnteza e a imaginação me levarem. Norte, sul, leste ou oeste pouco me importavam. Não era o barco que precisava de um rumo... 


Era eu!  

*-*-*-*-*
Bem, queridos, quero agradecê-los por todo carinho nesse quase um ano de blog! Porém, ultimamente tenho me dedicado mais aos estudos e, além disso, tenho outros dois projetos de histórias que eu pretendo lançar (separadamente). Não pensem que este é o fim da trajetória do Andrew, apenas o fim de um capítulo... Preciso de algumas semanas ou meses (no máximo 3 meses) para me organizar e me preparar para os vestibulares e voltar no ritmo, mas prometo aparecer algumas vezes com algumas aventuras dele... Dia 30/09 é o aniversário desse bobão e pretendo postar algo! Antes que a Jaque diga que estou mais uma vez com bloqueio criativo: não! Não é! kkkkkkkkkk' Tenho 9 capítulos prontos aqui, tenho tempo, mas estou disposto a me dedicar a um dos meus dois antigos projetos! 
Obrigado a todos pelo carinho! Até breve! =)

Um grande beijo do Aníbal e do Andrew Joaquim!
#corre
Andrew aqui: Amarelo ousado e cretino! Você me paga! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Um Ombro Amigo


Eu tinha uma pessoa para quem ligar. Aliás, creio eu que a única que me conhecia por completo. Exato! Christopher Luther, meu melhor amigo. Já não nos falávamos há alguns meses. Agenda corrida, ambos com problemas... O afastamento foi inevitável! Sally havia me contado que ele estava em Isla Paradiso, mas mesmo assim eu pedi sua ajuda. Afinal, amigos são para isso!
Meu amigo prontamente largou tudo o que estava fazendo e, no final da tarde daquele dia, chegou em Bridgeport. Assim que abri a porta, me atirei em seus braços e chorei demasiadamente.
- Minha vida é uma droga, Chris! Eu sou um ridículo!

Christopher olhou assustado e falou:
- Ei, And! Calma! O que aconteceu? Me explica, meu amigo!


Contei ao Chris toda a história envolvendo Flora e o nosso bebê.
- Eu suspeitava que houvesse algo por trás do rompimento de vocês. Foi muito... Rápido!
- Eu sei, mas... Chris, você sabe que eu nunca pensei em ter filhos, nunca pensei em casar. Só que essa história... Eu já estava começando a ter esse desejo.
- And, você tá passando por uma crise existencial! É isso! Toda pessoa passa. Chega uma hora em nossa vida que temos que reavaliar nossas atitudes, medir os pesos e tentar acertar... Eu fiz isso, todos fazem... Agora, o caminho que você vai seguir, só depende de você. Lembra quando você opinava sobre meu relacionamento com a Analiy? Não era você quem tinha de saber o que eu ia fazer, mas sim eu. Cada um escolhe como quer viver, como seu coração deseja. Se é certo ou errado, só o tempo dirá.


- Você acha? – Perguntei fazendo cara de choro.
- Sim, And! Você é um cara bacana, tem uma carreira invejável, mulheres que dariam tudo para dar para você. – Ele riu. – E uma família que te ama!
- Eu tenho pensado em uma coisa...
- O que?
- Abandonar a carreira.
- O que? And! Você ama o que faz! Sempre amou!
- Eu amo o que faço, mas não tenho me sentido... Recompensado! 


- And, antes de tomar qualquer atitude, reflita bem!  Você sabe que sou teu amigo e vou te apoiar hoje, amanhã e sempre! Mesmo que a gente tenha ficado um pouco distante nos últimos meses, uma amizade de verdade não morre!
- Eu sei! Eu sinto tanto a sua falta, oxigenado!
- Já está ficando bom né? – Ele riu. – Eu sinto a sua falta, seu maluco! E então? O que vamos fazer? Tem de valer à pena essa tarde! Não sai de Isla Paradiso para ficarmos tristes aqui! – Ele riu.
- O que acha de um banho de piscina? – Convidei.
- Boa pedida!


Emprestei uma sunga ao Christopher – embora esta tenha ficado MUITO apertada nele, já que sou mais magro, obviamente – e fomos para a piscina. Eu precisava poupar a mente. Pensar no que havia acontecido era pior. 


Nadamos, rimos, brincamos, comemos, relaxamos. Uma dos melhores momentos que eu havia tido nos últimos meses! Eu amava tanto meu amigo que, tê-lo por perto novamente, me fez recuperar as forças que eu havia perdido! 


Após o jantar, fomos relaxar na jacuzzi e o Chris falou:
- Ei, And! Você anda tão só nessa casa... Porque você não compra algum animal? Sei lá... Ou adota!
- Mas eu tenho meus peixes.
- And, peixes são... Monótonos!
- Você se refere a um cachorro? – Perguntei.
- Não sei... Pode ser. Acho que um gato combina mais contigo.
- Por quê? – Ri.
- Sei lá! Gatos são egocêntricos e metidos, assim como você! – Christopher começou a rir.
- Filho da mãe! Pra você tinha de ser uma cascavel! Falso! – Ri também.
- And, a cobra eu já tenho e ela está bem guardada aqui...


Continuamos a rir por um tempo, até que o Chris falou:
- Acho melhor eu ir pra casa! Amanhã vou ter de viajar cedo...
- Ir pra casa? Pirou? Não deixo! Você tomou duas taças de vinho!
- And, eu já bebi muito mais e dirigi do Joy Club até minha casa. E, além do mais, eu moro aqui do lado!
- Negativo! Hoje você dorme aqui! Amanhã cedo você vai! Hoje você vai disfrutar da minha adorada companhia! – Ri.
- Ai, Deus! Você é um chato, Andrew!
- Vai, Chris! Fica aqui! Nem sei se a Sally está na cidade, se sua cama está arrumada... E lá você não terá como provar as minhas deliciosas panquecas de uva... 
- Tudo bem, And! Eu fico! – Ele riu.


Fizemos uma verdadeira farra naquela noite, que teve início com uma intensa guerra de travesseiros.


Em seguida, apagamos as luzes do quarto de hóspedes e começamos a contar histórias de terror super toscas um para o outro. Sem sombra de dúvidas, aquele estava sendo um dos dias mais legais dos últimos meses... Um dia maravilhoso ao lado de uma das pessoas que mais amo em minha vida: o meu melhor amigo!

*-*-*-*-*
Amigos, não atualizei o blog no domingo porque estou com a mão direita enfaixada. De acordou com o médico, estou com L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo), que está relacionada ao uso do computador e de escrever MUITO! Ou seja, essa semana só teremos essa atualização! Até domingo! 
- Aníbal