domingo, 12 de abril de 2015

Epílogo

              
  “Se eu pudesse voltar no tempo, com certeza teria feito todas as coisas do jeito mais fácil ou do jeito mais “prático”. Dois anos se passaram desde que Sophia me pediu em casamento e, ao recusar o seu pedido, eu tive a certeza de uma coisa: não existem jogos no amor. Brincar, evitar, correr, fugir, se esconder ou, até mesmo, criar formas de trazer a pessoa amada para perto de nós. Quando disse a Sophia que não poderia aceitar aquele jogo maluco, ela me perguntou:
                – Você ama a Flora não é?
                Eu não podia negar. Eu ainda amava aquela mulher e toda a imperfeição que a cercava: o jeito de fugir de mim, o passado conturbado... Da primeira vez, terminamos por um medo dela, depois terminamos por estarmos extremamente ocupados com nossos trabalhos, nossos projetos e todos eles seriam divergentes em nossas vidas.
                Ao sair do Aquário naquela noite, tive duas certezas em minha vida: a primeira era de que eu amava Flora e não poderia negar isso, a segunda era que eu não era mais tão feliz com a minha vida quanto antes. Na manhã seguinte convoquei uma coletiva de imprensa e o mundo das celebridades parou ao ouvir Andrew Baron dizer que abandonaria sua carreira. Podemos sonhar novos sonhos e eu não estava mais disposto a viver um sonho antigo que havia me tornado alguém tão vazio e tão solitário.
                Meus amigos divergiram sobre minha atitude. Stanley ficou completamente chateado comigo. Ele contava comigo em seus futuros filmes, mas eu não podia mais fazer aquilo. Eu não podia mais viver como o ator Andrew Baron. Christopher apoiou minha ideia, exceto pela novidade: a de que eu não iria mais morar em Bridgeport. Por mais que eu amasse – e ainda amo – aquela cidade, eu precisava de paz, eu precisava de novos horizontes e eu sabia muito bem onde encontrá-los.
                Minha mudança para Barnacle Bay foi cercada de repórteres e correria. Eu não tinha a mínima condição de morar com meus pais. A solução foi comprar uma casa próximo ao centro da cidade – não me sentiria tão “no mato” e poderia matar um pouco das saudades de Bridgeport –. Os repórteres ficaram na minha cola por um mês seguido e eu dei tudo o que eles queriam: todas as entrevistas possíveis. Lei de oferta e procura: quanto mais se tem algo, menos ele vale. E em pouco tempo eu havia me tornado apenas uma página da história do cinema.
                Outra parte do meu “plano de vida nova” estava no meu trabalho. Resolvi me tornar um escritor em tempo integral, mas queria algo a mais, queria algo que me unisse a minha família. Foi assim que acabei comprando e reformando o antigo “Barney’s Resort” e o transformei em “Baron’s Resort”. Além de acoplar o bar de meu pai, o ambiente ganhou um espaço para shows, festas... Algo bem ao estilo “Bridgeport de ser”, mas sem perder a essência da cidade: um bom resort pirata.
                Antes das obras começarem no resort, deixei os encargos do trabalho com meu pai e Alexandre e resolvi partir em mais uma das minhas aventuras marinhas ao lado de Floco. Minha mãe questionou várias vezes a minha ideia, mas, como sempre, se deu por vencida. Eu estava prestes a zarpar, quando ouvi latidos de Floco no térreo. Qual não foi minha surpresa ao descer a escada e encontrar Flora, ali, parada, me encarando.
                – Flora! O que... O que você está fazendo aqui?
                – Andrew, eu queria conversar com você. – Ela ficou em silêncio e colocou a bolsa sobre a cadeira. – A Sophia me procurou e... Me contou uma história. Eu vim aqui pra saber se é verdade.
                – Qual história? – Perguntei friamente.
                – A de que você ainda me ama.
                Flora ficou parada me olhando e eu tive a maior vontade do mundo de matar alguém, no caso, a Sophia.
                – Flora... Eu não quero conversar sobre isso. Ok? Eu estou recomeçando a minha vida e quero novos rumos. Você não precisava se deslocar até aqui pra saber se isso é verdade. Bastava me ligar.
                – Então é verdade?
                – É, Flora! É verdade! Eu ainda te amo! Mesmo com tudo o que aconteceu entre nós, mesmo com todas as mágoas que surgiram... Eu ainda te amo!
                Ela me olhou e virou as costas pra mim.
                – Eu acho melhor você ir!
                Voltei em direção à escada, mas Flora falou irritada:
                – Porque é que nós dois somos tão burros, tão estúpidos? Hein? – Ela virou pra mim. – Parece que vivemos em um jogo de gato e rato e ficamos rodando, rodando e rodando cada vez mais. Eu cansei sabe?
                – Do que você tá falando, Flora? Eu não estou te pedindo pra me dar uma chance, pra casar comigo ou sei lá o que. Você veio aqui porque quis. Então se isso te faz mal, vai embora!
                – Mas eu não quero ir embora, seu idiota! – Ela gritou. – Eu te amo, Andrew Baron! Eu te amo desde aquele dia em que eu te vi correndo sem camisa. Se você quiser, eu quero tentar. Tentar sem medo. Sem pensar nas outras vezes, recomeçar por completo. Mas se você não quiser, eu vou embora. Porque eu não quero ficar vivendo essa angústia de um dia voltar com você.
                Eu não precisava responder. Não havia mais dada que eu pudesse dizer a Flora. Todas as palavras já haviam sido ditas, todos os pensamentos já havia se esvaído. Corri em sua direção e a beijei. Beijei da forma mais intensa que poderia existir. Um beijo feroz, fugaz, intenso. Não consigo me lembrar em como subimos a escada e, em poucos minutos, todas as nossas roupas já haviam se tornado meros objetos no chão do quarto. Juntos, um só corpo, uma só paixão. Eu a amava. E não ia perder a chance de ser feliz ao lado dela.”
                 As batidas na porta se tornaram mais fortes.
                – And, o pessoal está te chamando! – Jessica falou.
                – Estou indo, lindona! Estava apenas atualizando meu diário. A melhor coisa que fiz foi deixar de lado o mundo virtual e ter tomado conta da minha própria vida!
                – Vem, idiota! Já vão te chamar!
                E não demorou muito para que o fizessem. O resort estava lotado. Christopher, Lana, Stanley, meus pais, meu sobrinho, Flora e, até mesmo, o pequeno Andrew. Com apenas seis meses, meu filho já demonstrara que puxaria ao pai na beleza – que Flora não saiba disso – e que será um grande garanhão. A sensação de subir a um palco novamente era algo atormentador. As pessoas me olhando e, ali, meu primeiro livro.
                – Boa noite a todos! Sei que o que mais os motivou a vir aqui essa noite foi o “grande mistério” por trás de Andrew Baron: seu primeiro livro sem título. Eu sei que muitos me chamaram de louco por esconder a história desse livro e que muitos vieram aqui apenas achando que se trata de uma biografia. Porém, eles estão enganados. Os meus podres permanecerão guardados a sete chaves e ninguém jamais ousará a mexer neles. Porém, meu livro tem algo especial: ele partiu de uma pesquisa minha, uma ideia que tive há alguns anos e que me motivou a estar aqui hoje. Como seria alguém completamente oposto a mim? Sempre me perguntei como seria a vida de um cara que fosse mais simples, tímido, romântico e que, ao contrário de mim, tivesse medo de agir. Fiquei nesse “trabalho” e, durante esse tempo, onde eu e esse personagem nos conhecíamos, acabamos por nos tornar um só. Eu aprendi com ele a podar a minha desinibição, ele aprendeu a deixar a timidez um pouco de lado. Eu peguei um pouco do seu romantismo e ele da minha ousadia. Resumindo: nos tornamos um só. Um personagem e um autor. E é com muito orgulho que eu lhes apresento a história de um homem, de um jovem, a história do meu primeiro livro, ou melhor, nem eu sei mais o que é ficção ou realidade. Com vocês: Por Trás de Aníbal Bastos!

•••
                – Você está feliz? – Christopher me perguntou ao final da festa.
                – Muito, meu amigo! E você?
                – Também! E agora, qual o próximo passo desse “autor”? – Ele riu.
                – Acho que chegou a hora de parar de contar outras histórias, de ser outras pessoas... A vida de ator me fez ser tanta gente, a vida de autor tem me feito ser tantas pessoas...
                – Não me diga que vai largar a carreira novamente!
                – Não, imbecil! Falo da vida... Falo que é a hora de eu ser quem eu sou. Andrew, Aníbal, pouco me importa mais quem eu era ou quem eu quero ser. O que me importa hoje, o que me faz feliz, é ser quem eu sou: justamente não sendo mais nenhum dos dois.
                – E o que você quer agora, senhor Andrew Aníbal Baron Bastos?

                – O que eu quero? Ser feliz... Mas acho que, por agora, eu vou fazer o que eu posso fazer de melhor... Eu vou escrever a minha própria história! 


Meus queridos, para mim, é chegada a hora de dizer adeus ao Andrew Baron! Em outubro faz 3 anos que eu criei o blog e senti uma alegria imensa em criar esse personagem. Chorei com ele, ri com os diálogos infames e até mesmo tive discussões imaginárias com esse "lado meu". Porém, todos as histórias merecem um fim e esse é o fim que eu havia planejado desde outubro. Peço desculpas a todos pelo tamanho da postagem, mas minha intenção era ter feito o final em fotos, o que ultimamente tem sido impossível. Quero agradecer a todos, de coração, pelos comentários, pelas piadas, pelas gargalhadas e o carinho que sempre tive de vocês. Andrew Baron estará sempre comigo e espero que vocês tenham se divertido ao menos um pouco do tanto que eu me diverti "sendo ele". Não devo voltar a escrever com The Sims pela falta de tempo mesmo, mas tenho me dedicado a um livro e espero que possa lançá-lo. Sobre o Andrew, bem... Vocês sabem que a palavra "Fim" não é com ele né? Quem sabe um dia ele não volta? Só que, da próxima vez, não será mais em um blog!

Um graaaaaande beijo a todos e o meu muito obrigado!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

The Surprise


Minha vida estava agitada. Além de estar fazendo participações em um seriado, Christopher, Stanley e eu passamos a desenvolver o projeto de um filme. Fora que, no tempo livre, passei a me dedicar a um novo projeto: meu primeiro livro. Eu havia me tornado um workaholic e estava amando poder me jogar nas letras, palavras, frases e ideias.


Floco havia sentido a mudança na minha rotina e estava se adaptando muito bem ao novo “pai”. Meu filhão adorava nossos passeios vespertinos e amava eu estar em casa ao invés de estar curtindo as baladas de Bridgeport. 


Porém, naquela noite, meu "sorvete de flocos" precisaria ficar só em casa. Eu havia marcado um encontro com uma grande amiga que, outrora, foi tida por mim como uma oportunidade de amor. Não deu certo, mas a amizade continuou. 


Ao chegar ao Aquário, fui surpreendido pelo vazio do lugar. Havia apenas uma moça ruiva sentada no balcão. Liguei para Sophia e, qual não foi a minha surpresa, ao reconhecer aquele belo rosto em meio aos cabelos ruivos. Sophia sorriu e disse:
– Voltei à cor natural, queridão! 


Fui em sua direção e nos abraçamos.
– Oh, my sweet hot Baron! Que saudades de você, meu garanhão mexicano!
– Que saudades de você, morena ruiva! – Sorri. 


Em meio aos arranha-céus de Bridgeport, Sophia e eu começamos a dançar e a conversar. Em meio a uns drinks, a umas danças e a alguns gritos, Sophia me falou sobre seus projetos, sua vida e todas aquelas coisas que amigos conversam após um tempo sem ver um ao outro.


Passados alguns minutos, Sophia parou de dançar e falou:
– And, você sabe que sou uma mulher decidida e que vou direto ao ponto do que quero. Eu preciso te pedir um favor imenso.
– Peça. Um pedido seu é uma ordem. – Tenho de me lembrar disso da próxima vez.
– Não me peça pra explicar nada agora porque eu já tomei cinco tequilas. – Ela riu. – Eu pressupus que você seria o único amigo louco o suficiente a ponto de topar isso. Então lá vai... 


– Andrew Baron, você aceita se casar comigo?

Confesso que, agora, agradeço a Deus por não ter problemas cardíacos. Senti minha pele gelar, meus olhos arregalaram e Sophia me encarou séria, o que me fez entender que ela estava falando sério.
– Oi? 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Novo Ano, Novos Hábitos


Dar de cara com o Christopher na minha porta em plena noite de Ano Novo foi algo surpreendente. Meu amigo entrou e eu perguntei:
– Ok. Cadê a Deka?
– Ela está em Isla Paradiso. – Ele respondeu meio tímido.
– Ok. O que aconteceu com a Sally?
– Ela está em Sunlit Tides.
– Ok. O que está acontecendo aqui?
– Eu e a Deka nos separamos. 


Meu amigo sentou-se no sofá comigo e me relatou o necessário sobre sua separação. Discreto, como sempre, ele não entrou em detalhes. Apenas me disse que a iniciativa partiu dele, que estava infeliz há um tempo. Não fiz perguntas. Aliás, amigos nem sempre devem fazer perguntas. A única coisa que lhe disse foi:
– Eu estou aqui. Para o que der vier. Seja com a Deka, com alguma outra garota, ou até com algum garoto... – Eu ri.
– Idiota!
– E porque você não foi pra sua casa?
– Nossa! Quanta indiscrição, Baron! – Ele riu.
– Não! É que... Eu não esperava e...
– A Sally estava morando sozinha lá, levou a chave. Só pensei em você quando saí de Isla Paradiso! 


– Então eu tenho uma boa e uma má notícia para você, Chris!
– Conta!
– A má é que não virá ninguém pra minha casa, a boa é que eu tenho 4 garrafas de néctar prontas para serem consumidas! O que acha?
– Contanto que eu tome um banho antes, tudo fica perfeito! 


Enquanto Christopher foi tomar banho, recebi uma mensagem de Flora em meu celular. A minha vida estava voltando ao que era antigamente. Eu e o Chris solteiros em Bridgeport, porém, com tudo que aconteceu nos últimos dois anos em nossas vidas, eu tinha certeza de uma coisa: nós estávamos prontos para fazer as escolhas certas! 


À meia noite, brindamos com um maravilhoso néctar. Christopher então me indagou:
– E então, qual seu desejo para o Ano Novo? Se for sexo, pode ir tranquilo para uma balada! – Ele riu.
– Não... Já passei dessa fase de ninfomaníaco.
– Então qual é o desejo de Andrew Baron para 2015?
– Um desejo que eu nunca imaginei ter: eu quero encontrar e viver um grande amor! E você?
– Um grande amor? Não... Já vivi um grande amor no último ano, eu quero que 2015 simplesmente me surpreenda.
– Então que 2015 nos surpreenda! Um brinde!

E brindando com o meu melhor amigo, eu finalmente tive a certeza que tanto havia me faltado nos últimos meses: eu nunca estaria sozinho! 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Novo Ano, Velhos Hábitos


Eu estava disposto a esquecer Flora de uma vez por todas. E eu havia resolvido fazer isso da forma mais destrutiva possível: trazendo o velho Andrew de volta à ativa. Baladas, bebidas e o sexo casual fizeram com que eu conseguisse esquecer dos meus sentimentos enquanto estava acordado. 


Porém, em meus sonhos, eu ainda sentia a presença de Flora. Aquele amor, os seus beijos, seus abraços... Eu a amava. Como eu a amava, mas já era hora de esquecer e seguir em frente.


Com o Ano Novo, fui ficando levemente nostálgico. Consegui me lembrar de dois anos atrás, quando passei o Ano Novo com Jessica, Christopher, Flora e seus familiares. Porém, eu entraria 2015 com a presença do meu fiel escudeiro.


Após as 22h, resolvi abrir uma garrafa de néctar. Enquanto admirava a imensidão de Bridgeport, percebi o quão pequeno eu era. Percebi o quão meus sentimentos eram pequenos. Ainda olhei algumas vezes no celular a mensagem que tanto quis mandar, mas não, eu não podia fazer isso! Por mais que eu estivesse sofrendo, eu sabia que amar Flora naquele momento iria me consumir. Eu não queria, eu não podia sofrer! Eu era mais forte que isso! 


Nos últimos meses, percebi algo: eu não era mais o mesmo Andrew Baron. Algo havia mudado em mim. Algo havia mudado a minha essência. Por mais que por fora eu mantivesse a pose, a postura de homem frio e maduro, por dentro eu queria, eu ansiava, eu precisava de um amor. Eu não preciso dessa vida. Eu só preciso de alguém por quem morrer, alguém por quem chorar. Mesmo que eu saiba que posso quebrar a minha cara infinitas vezes, eu estava disposto a tentar, a buscar alguém que me compreendesse, que me amasse. Alguém que, simplesmente, pudesse sentar comigo e chorar, sorrir, dançar. 


Fiquei tão distraído em meus devaneios que mal notei a campainha tocar. Corri para abrir a porta e, pelo vidro, pude ver quem era. Por mais que eu estivesse surpreso e sem entender a sua presença.
– Será que tem mais um lugar à mesa?