sábado, 10 de janeiro de 2015

Novo Ano, Novos Hábitos


Dar de cara com o Christopher na minha porta em plena noite de Ano Novo foi algo surpreendente. Meu amigo entrou e eu perguntei:
– Ok. Cadê a Deka?
– Ela está em Isla Paradiso. – Ele respondeu meio tímido.
– Ok. O que aconteceu com a Sally?
– Ela está em Sunlit Tides.
– Ok. O que está acontecendo aqui?
– Eu e a Deka nos separamos. 


Meu amigo sentou-se no sofá comigo e me relatou o necessário sobre sua separação. Discreto, como sempre, ele não entrou em detalhes. Apenas me disse que a iniciativa partiu dele, que estava infeliz há um tempo. Não fiz perguntas. Aliás, amigos nem sempre devem fazer perguntas. A única coisa que lhe disse foi:
– Eu estou aqui. Para o que der vier. Seja com a Deka, com alguma outra garota, ou até com algum garoto... – Eu ri.
– Idiota!
– E porque você não foi pra sua casa?
– Nossa! Quanta indiscrição, Baron! – Ele riu.
– Não! É que... Eu não esperava e...
– A Sally estava morando sozinha lá, levou a chave. Só pensei em você quando saí de Isla Paradiso! 


– Então eu tenho uma boa e uma má notícia para você, Chris!
– Conta!
– A má é que não virá ninguém pra minha casa, a boa é que eu tenho 4 garrafas de néctar prontas para serem consumidas! O que acha?
– Contanto que eu tome um banho antes, tudo fica perfeito! 


Enquanto Christopher foi tomar banho, recebi uma mensagem de Flora em meu celular. A minha vida estava voltando ao que era antigamente. Eu e o Chris solteiros em Bridgeport, porém, com tudo que aconteceu nos últimos dois anos em nossas vidas, eu tinha certeza de uma coisa: nós estávamos prontos para fazer as escolhas certas! 


À meia noite, brindamos com um maravilhoso néctar. Christopher então me indagou:
– E então, qual seu desejo para o Ano Novo? Se for sexo, pode ir tranquilo para uma balada! – Ele riu.
– Não... Já passei dessa fase de ninfomaníaco.
– Então qual é o desejo de Andrew Baron para 2015?
– Um desejo que eu nunca imaginei ter: eu quero encontrar e viver um grande amor! E você?
– Um grande amor? Não... Já vivi um grande amor no último ano, eu quero que 2015 simplesmente me surpreenda.
– Então que 2015 nos surpreenda! Um brinde!

E brindando com o meu melhor amigo, eu finalmente tive a certeza que tanto havia me faltado nos últimos meses: eu nunca estaria sozinho! 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Novo Ano, Velhos Hábitos


Eu estava disposto a esquecer Flora de uma vez por todas. E eu havia resolvido fazer isso da forma mais destrutiva possível: trazendo o velho Andrew de volta à ativa. Baladas, bebidas e o sexo casual fizeram com que eu conseguisse esquecer dos meus sentimentos enquanto estava acordado. 


Porém, em meus sonhos, eu ainda sentia a presença de Flora. Aquele amor, os seus beijos, seus abraços... Eu a amava. Como eu a amava, mas já era hora de esquecer e seguir em frente.


Com o Ano Novo, fui ficando levemente nostálgico. Consegui me lembrar de dois anos atrás, quando passei o Ano Novo com Jessica, Christopher, Flora e seus familiares. Porém, eu entraria 2015 com a presença do meu fiel escudeiro.


Após as 22h, resolvi abrir uma garrafa de néctar. Enquanto admirava a imensidão de Bridgeport, percebi o quão pequeno eu era. Percebi o quão meus sentimentos eram pequenos. Ainda olhei algumas vezes no celular a mensagem que tanto quis mandar, mas não, eu não podia fazer isso! Por mais que eu estivesse sofrendo, eu sabia que amar Flora naquele momento iria me consumir. Eu não queria, eu não podia sofrer! Eu era mais forte que isso! 


Nos últimos meses, percebi algo: eu não era mais o mesmo Andrew Baron. Algo havia mudado em mim. Algo havia mudado a minha essência. Por mais que por fora eu mantivesse a pose, a postura de homem frio e maduro, por dentro eu queria, eu ansiava, eu precisava de um amor. Eu não preciso dessa vida. Eu só preciso de alguém por quem morrer, alguém por quem chorar. Mesmo que eu saiba que posso quebrar a minha cara infinitas vezes, eu estava disposto a tentar, a buscar alguém que me compreendesse, que me amasse. Alguém que, simplesmente, pudesse sentar comigo e chorar, sorrir, dançar. 


Fiquei tão distraído em meus devaneios que mal notei a campainha tocar. Corri para abrir a porta e, pelo vidro, pude ver quem era. Por mais que eu estivesse surpreso e sem entender a sua presença.
– Será que tem mais um lugar à mesa?